O que há com o signo de escorpião, afinal, para tanta má fama? Vamos começar descartando explicações as mais simplistas, mas sem deixar de considerar cada uma, minimamente.A antipatia seria devida às idéias associadas ao bicho mesmo, ao inseto escorpião? Sabe-se que tem veneno - veneno que dói, mas só mata em casos raros – vive no escuro, e não é bonitinho, mas também não chega a ser repugnante como uma barata. Mas a simbologia associada aos signos são fundamentalmente ligadas às estações do ano e não às imagens a eles associadas.
Assim, o signo de escorpião está ligado ao meio do outono (para o hemisfério norte) onde poderia ser que no Egito ocorresse alguma infestação de escorpiões, e o particular inseto batizou o signo, não necessariamente por suas características, mas porque pensar num escorpião era forçosamente lembrar daquela época do ano.
Época em que o inverno se aproxima, os frutos que ainda sobraram nas árvores caem pelo chão junto com o colorido de folhas mortas, como naqueles postais de bosques europeus exuberantes, onde chega-se a sentir, por força da imaginação, um cheiro forte no ar, de terra adubada.O que temos até agora? Uma estação do ano que propicia paisagens impressionantes e um inseto que prefere ficar na dele, escondido por aí longe dos humanos (o que não é um mal negócio, convenhamos), dotado de uma arma de defesa que impõe respeito, e serve também como ataque na busca de alimentos.
Não explica ainda a má fama. E que alguém precisa levar a má fama, parece ser um entendimento comum nas sociedades humanas. Eis a origem de tantos bodes-expiatórios, do diabo cristão ao “estrangeiro” de outro credo ou outra raça. Mas os ecorpianos, com personalidade tão forte, se deixariam envolver neste papel imposto e opressor? Não parecem ser o tipo que aceitam a culpa que não lhes cabe.
Não, não aceitariam o papel. A menos que lhes fosse interessante. E é.
Imaginem, por exemplo, os curandeiros de todos os tempos, pessoas dotadas de alguns conhecimentos e talentos especiais ou incomuns. Normalmente habitavam a periferia das cidades: de um lado a civilização, do outro a vida selvagem circundante. Simbolicamente coerente, estando ele no papel de intermediário entre os humanos e as forças da natureza. As histórias assustadoras que corriam a seu respeito, era o que lhes garantia a paz necessária para seguirem sua vida e seu trabalho, sem serem incomodados por caprichos, para resolverem casos de amor banais, procurarem cachorro perdido, tirarem unha encravada, etc. Só aqueles “desenganados” é que ousavam procurar “o bruxo”.

É uma historinha, que talvez nos ajude a entender os escorpianos que desfilam orgulhosos sua carapaça de “menino mau”, “fora!”, “fique longe”, “estou avisando...”. Uma forma de proteção?
Estamos mais perto de entender melhor a popularidade dessa turminha. Pessoas marcadas por Escorpião são profundamente humanas. E ao sermos profundamente humanos, a primeira coisa que nos damos conta, é de nossa mortalidade e vulnerabilidade. Ser vivo significa sentir, tudo o que se sente, inclusive (claro) dor e morte, como os frutos pelo chão, as folhas mortas, a ferroada, o veneno da serpente.
A maior parte de nós aprende a dedicar a vida a criar estratégias para evitar essas coisas. Mais do que evita-las, nos esforçamos para tirá-las de nossas vistas. Com isso, é comum vivermos como se fossemos imortais: adiando para amanhã, ocupados com mesquinharias, mergulhados em auto-importância e, sem se dar conta, morrendo por nada que valha a pena.
Escorpião se apercebe disso, e recusa. Escorpião ainda percebe que não há como tirar da pele a possibilidade de ser ferida sem tirar-lhe a possibilidade de ser tocada, de ser acariciada, de ser beijada, de ser marcada. O poeta (Renato Russo) colocou na canção a idéia budista de que “toda a dor vem do medo de não sentirmos dor”.
Assim, as pessoas fortemente marcadas por escorpião vivem às voltas com o desejo de intensidade, e ao mesmo tempo, com a ameaça de sentir além do que podem suportar. E encontram muita vida nesse jeito de morrer a cada dia.
Detestam superficialidades e banalidades, como absoluto desperdício de vida. Por olharem de frente para tudo o que assusta ao ser humano, aprendem e sabem muito sobre eles. Pode controla-los se quiser. Pode transformá-los se quiser. Instintivamente entendem tudo sobre vulnerabilidade.
É muito difícil enganar tal pessoa. Se temos sob nossa educação um filho de escorpião, é importante não deixar que cresçam com o entendimento de que as pessoas à sua volta são mentirosas e controladoras: “mentirinhas para crianças” devem ser muito evitadas em relação a estas crianças observadoras, e não se deve prometer sem que se possa cumprir.
Se o ser que traz a marca de escorpião se convence que o mundo e as pessoas são perigosas, será tudo o que diz a caricatura desse signo que ouvimos por aí: “quando sou bom, sou bom, mas quando sou mal... sou melhor”.
Mas se eles aprendem que não há nada a temer – apesar do mundo e as pessoas serem de fato perigosos – eles têm um potencial de entrega inigualável. Eles sabem pelo que, e como, vale a pena morrer. São dotados de uma força de vontade poderosa, e são obstinadamente apaixonados.
Em ambos os casos, não fecham os olhos para tudo o que é humano, especialmente o que é tabu, o que não se gosta de falar nos jantares elegantes, o que se coloca debaixo do tapete: sexo, morte, doença, o que for.
A pergunta que fica é se essas coisas – sexo, morte, doença, dinheiro, poder, crime e toda a sorte de paixões humanas – são feias em si, ou se ficam feias pelo jeito em que são tratadas no nosso modo de viver de falsos imortais entre jantares elegantes?
Com escorpião existe a recomendação de que o melhor é assumirmos que nunca somos suficientemente sinceros e honestos conosco mesmos, mas que ainda assim, é tudo que se deve tentar sempre.
Está em escorpião o melhor antídoto contra a hipocrisia. Alguém diria que isso não é bom? Mas não é preciso observar muito para ver o quanto isso incomoda.

7 comentários:
Muito bom. Será que este blog poderia ter mais postagens?
Beijos
Escorpião não é um inseto, e sim um aracnideo, como as aranhas. Insetos têm 6 patas, aracnídeos têm 8!
Adorei, será que sou mesmo escorpião?????????????????
Sinto o receio e também a admiração ds pessoas.Mas se sou uma sobrevivete na vida, abaixo de Deus é por ser escorpiana:caio e levanto.Não posso ter vergonha disso !!
Bjinhos
MAIS UMA REIVINDICAÇÃO:
POR MAIS POSTAGENS!!!!!!!!!
kkkkkkkkk....
te amo hugo!
Muito bom! Um dos melhores textos sobre o signo.
Sou Escorpiana.. do Tipo que quando era chingada pelos pais, apenas fazia isso: rangia os dentes pensando * você me paga! *
Eu sou do tipo que desvenda qualquer segredo.
Meus parentes aprenderam a conviver com isso, e nunca, sequer tentam, me esconder algo.
Li em um lugar, que o melhor cão para este intenso e inegmatico signo, é um Boxer. Cão que eu possuo, por mera coincidencia.
Escorpiana? Sou, com muito, muito mesmo, orgulho.
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